Uma bebida sagrada preparada a partir de duas plantas amazônicas, usada há séculos por povos indígenas em rituais de cura e expansão da consciência.
Para os povos indígenas da Amazônia (Shipibo, Huni Kuin, Ashaninka, Shaur e dezenas de outras nações), a ayahuasca não é uma substância descoberta. É uma revelação recebida. A narrativa mítica varia entre as tradições, mas o centro é sempre o mesmo: a medicina foi ensinada pelos próprios espíritos da floresta, que escolheram os seres humanos como seus guardiões.
O nome vem do quéchua: aya (alma, ancestral, morto) e waska (cipó, corda). Cipó da alma. Corda dos mortos. Já no nome está contida a natureza da medicina: não uma droga, não um remédio no sentido moderno, mas um caminho. Uma corda que conecta o visível ao invisível, os vivos aos ancestrais, o particular ao sagrado.
Por séculos, o uso permaneceu protegido dentro de linhagens de curandeiros e pajés. A transmissão era oral, iniciática, lenta. Aprendia quem era chamado. O processo de aprendizado durava anos, exigindo dieta, isolamento e entrega ao ensinamento dos mestres da floresta.
“A planta não ensina quem quer aprender. Ensina quem está pronto para ouvir.”
A expansão da ayahuasca para fora dos territórios indígenas aconteceu de forma gradual. No Brasil, esse movimento foi marcado pela figura de Raimundo Irineu Serra (o Mestre Irineu).
Nascido no Maranhão em 1892 e radicado no Acre, Mestre Irineu teve seus primeiros contatos com a medicina ainda jovem, durante o serviço de demarcação de fronteiras na floresta amazônica. O que veio depois (na sua narrativa e na de seus seguidores) não foi aprendizado intelectual: foi uma revelação. A Rainha da Floresta, figura que ele identificava com Nossa Senhora, teria se manifestado a ele durante dias de trabalho com a medicina, entregando hinos, ensinamentos e uma forma ritual própria.
Em torno de 1930, Mestre Irineu fundou no Acre o Centro de Iluminação Cristã Universal, embrião do que conhecemos hoje como Santo Daime. A bebida passou a se chamar Daime, do verbo dar: dai-me luz, dai-me força, dai-me amor. O ritual integrou elementos da tradição indígena, do espiritismo kardecista e do catolicismo popular do norte do Brasil, criando algo singular: uma religião ayahuasqueira genuinamente brasileira.
Décadas depois, o seringueiro José Gabriel da Costa (o Mestre Gabriel) fundaria, em 1961 no Amazonas, a União do Vegetal (UDV). Uma segunda vertente ayahuasqueira, com estrutura hierárquica própria e linguagem mais urbana, que se expandiria rapidamente para outras regiões do país.
Essas duas tradições foram as responsáveis por carregar a medicina da floresta para as cidades brasileiras e depois para fora do Brasil, num processo de disseminação que continua até hoje. O que era exclusivo de contextos indígenas e rurais alcançou centros urbanos, profissionais liberais, artistas, intelectuais e, eventualmente, os laboratórios de neurociência de universidades ao redor do mundo.
Em 1987, após um período de investigação sobre a natureza e os efeitos da bebida, o CONAD retirou a ayahuasca da lista de substâncias proibidas no Brasil, tornando o país o primeiro do mundo a reconhecer legalmente seu uso. Em 2010, nova resolução regulamentou o uso ritual por entidades religiosas. O Brasil tornou-se referência mundial tanto no marco legal quanto nas pesquisas científicas sobre a medicina.
O Templo trabalha com uma medicina específica, produzida por uma família de povos originários da Amazônia, preservando conhecimentos tradicionais transmitidos através de gerações.
Sua composição é pura: apenas cipó jagube (Banisteriopsis caapi) e folhas de chacrona (Psychotria viridis), sem adição de outras substâncias. A preparação passa por múltiplos processos de apuração até atingir concentração 18x1, o que a classifica como Ayahuasca Mel: um tipo de medicina mais concentrada, servida em estado puro, livre de acidez e de fermentação.

Produzida por família indígena amazônica. Composição pura: cipó jagube e folhas de chacrona.
A medicina é acondicionada e transportada com rigor: temperatura controlada, vedação adequada, sem exposição a luz direta ou calor excessivo.
Do ponto de preparação até o ritual, a cadeia de cuidado é ininterrupta. A qualidade da medicina chega intacta ao campo.
A primeira dose é de 20 a 30ml, administrada no início da cerimônia. Não há pressão sobre o buscador. A decisão de tomar é sempre pessoal.
Uma segunda dose opcional, de 10 a 20ml, pode ser ofertada ao longo da noite, a critério da condução e da abertura do buscador.
A Ayahuasca Mel é consideravelmente mais suave do ponto de vista físico do que preparações tradicionais de alta acidez.
Náuseas e vômito são menos frequentes com esta medicina, mas podem ocorrer em alguns buscadores, especialmente na primeira experiência. O corpo de cada pessoa responde de forma diferente.
Não. O efeito da ayahuasca não é o de suspender a consciência: é o de ampliá-la.
O buscador permanece consciente, orientado e capaz de agir. O que se expande é o campo perceptivo, sem dissolução do senso de presença ou da capacidade de observar.
A ayahuasca é uma bebida psicoativa preparada a partir da combinação de duas plantas amazônicas: o cipó Banisteriopsis caapi e as folhas de Psychotria viridis (chacrona). A preparação envolve cozimento prolongado das plantas em água.
O princípio ativo psicodélico é a dimetiltriptamina (DMT), presente nas folhas de chacrona. Normalmente o DMT é decomposto pelo sistema digestivo antes de atingir o cérebro, mas os alcaloides do cipó inibem essa decomposição, tornando o DMT oralmente ativo.
A ayahuasca é usada há séculos por populações indígenas da Amazônia em contextos rituais, de cura e de comunicação espiritual. No Brasil, a partir do século XX, religiões como o Santo Daime e a União do Vegetal incorporaram a bebida em seus rituais, tornando seu uso legal e regulamentado.
Nas últimas décadas, instituições de pesquisa externas ao uso ritual (como universidades e centros de neurociência) têm investigado o potencial terapêutico da ayahuasca em condições como depressão, PTSD e dependência química, com resultados preliminares interessantes, mas ainda sem conclusões definitivas. O Templo não oferece tratamento, diagnóstico, terapia ou qualquer forma de atendimento clínico. Essas pesquisas são conduzidas por instituições independentes em contextos distintos do ritual espiritual.
A ayahuasca age principalmente sobre receptores de serotonina no cérebro. Os efeitos incluem alterações perceptivas (visuais, auditivas e somáticas), intensificação emocional, introspecção acentuada e, frequentemente, náuseas transitórias.
A intensidade e o caráter da experiência variam significativamente entre pessoas e entre diferentes ocasiões para a mesma pessoa, dependendo de dose, set, setting, estado emocional e histórico individual.
“A substância não cria a experiência. Ela amplia o que o campo interno e externo já contém.”
Sim. O uso religioso da ayahuasca é legal no Brasil desde 1987, quando o CONAD (Conselho Nacional Antidrogas) excluiu a bebida da lista de substâncias proibidas. Em 2010, nova resolução regulamentou seu uso ritual por entidades religiosas.
O Templo da Nova Consciência opera dentro desse marco legal e regulatório.
A ayahuasca não é inócua. Existem contraindicações importantes, especialmente em pessoas com histórico de psicose, esquizofrenia, transtorno bipolar com episódios maníacos, e para usuários de determinados medicamentos (especialmente IMAOs e ISRSs).
Leia nossa política de segurança completa antes de considerar qualquer participação.
Esta página é informativa. Não constitui orientação médica ou terapêutica. Em caso de dúvidas sobre saúde, consulte um profissional qualificado.
O Templo da Nova Consciência realiza consagrações com ayahuasca em Curitiba, Paraná, no bairro São Braz. As cerimônias acontecem em espaço privado, com vagas limitadas e condução responsável.
O endereço exato é informado após a confirmação da reserva, por razão de privacidade do espaço e de seus participantes. O processo de inscrição começa pela agenda de consagrações.
Antes de participar, leia nossa política de segurança e contraindicações e entenda como funciona uma consagração.